Em 2005, Akon estreou na SRC Records. Seu plano era cativar públicos nas ruas com 'Locked Up'. Mas no estúdio, uma música diferente continuava emergindo. Era 'Lonely' de Akon, uma amostra do clássico de 1962 'Mr. Lonely' de Bobby Vinton transformada através de autotune e vozes de esquilo. O A&R Jerome Foster estava convencido: 'Este garoto é real. Esta é uma canção massiva'. E ele estava certo.

Lonely night city
'Lonely', lançada em 2005, tornou-se a canção representativa da tendência de amostragem ultrassônica.

O Fantasma de 1962 Se Torna Pop Antigo

Quando Bobby Vinton lançou 'Mr. Lonely' em 1962, ele nunca poderia ter sonhado que sua música ganharia nova vida na cena do hip-hop 40 anos depois. Quando Akon amostrou esta canção, ele não estava simplesmente reutilizando-a mecanicamente, mas tentando uma reinterpretação que transcende o tempo. Ele corrigiu os vocais pungentes de Bobby Vinton com autotune, elevando o registro para transformá-los em uma voz parecida com a de um esquilo. Parecia como se as emoções dos anos 1950 tivessem chegado ao século XXI através de um túnel do tempo.

"Este garoto é real. Esta é uma canção massiva."
— Jerome Foster, Diretor de A&R

2005 foi um período quando o autotune estava emergindo como uma nova ferramenta na indústria musical. Dentro da tendência de amostragem ultrassônica liderada por Kanye West e Just Blaze, 'Lonely' ocupava uma posição única. Em uma era quando o autotune se parecia com um efeito cientificamente frio, a voz de esquilo de 'Lonely' em vez disso evocava nostalgia quente. Quando a tecnologia antiga era reconstruída com tecnologia nova, a tristeza era transmitida intacta enquanto simultaneamente criava uma beleza exótica.

O Momento em Que a Estratégia e a Intuição Se Encontraram

A estratégia da SRC Records era clara: estabelecer Akon como um artista de rua primeiro, depois movê-lo para o mercado pop. Por isso escolheram 'Locked Up' como o primeiro single. Mas 'Lonely' que emergiu do estúdio destruiu todos esses planos. Já não era uma canção visando malandros de rua. Esta canção era sobre solidão universal. Continha emoções com as quais todos poderiam se identificar.

"Quando você chama o passado através do autotune, não é mais tristeza mas nostalgia."
— Da entrevista de Akon

No final, 'Lonely' tornou-se o primeiro single, e isso fez o avanço internacional de Akon. Chegou ao número um no Reino Unido, Austrália e Alemanha, e atingiu o número 4 na parada Billboard dos EUA. Ultrapassou um bilhão de streams no Spotify. Esta não era apenas uma canção de sucesso. Foi uma obra-prima nascida na interseção do passado e do presente, analógico e digital, tristeza e nostalgia.

1B+
Streams do Spotify
#1
UK/Austrália/Alemanha
2005
Lançamento

Emoção na Era da Amostragem Ultrassônica

'Lonely' foi importante porque foi uma combinação perfeita de tecnologia e emoção. O autotune foi frequentemente criticado como uma ferramenta que mecanizava a voz e eliminava a emoção. Mas em 'Lonely', Akon paradoxalmente usou esta ferramenta para expressar emoção mais profunda. Ao trazer uma voz do passado para o presente enquanto simultaneamente a transformava, ele expressou a 'transformação da solidão'. Isso contrasta com a maior crítica do autotune após os anos 2010. O autotune inicial era quente, e o autotune posterior era frio—esta avaliação demonstra precisamente o papel desta canção.

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